DesCulpas

Houve uma época em que eu achei que culpas e desculpas estavam intimamente ligadas. Acho que é essa minha mania de ver mais significado nas palavras do que nas coisas a que elas dão nome que me acompanha desde muito cedo na vida. Portanto, na minha cabecinha de vento não fazia sentido eu pedir desculpa por uma coisa pela qual eu não sentisse culpa. Portanto, só se eu tivesse feito algo “de errado” com intenção é que eu poderia me sentir culpada e, conseqüentemente, deveria pedir desculpas. Portanto, era muito raro eu pedir desculpas.

O processo de amadurecimento do ser humano é dolorido e sofrido, isso todo mundo sabe. Acho que foi com ele que fui aprendendo e eis que um dia me dei conta de que estava errada. Tudo por causa das visões que as pessoas têm sobre um determinado assunto ou um determinado momento ou uma determinada pessoa, tudo por causa das tais diferenças individuais. Como é que alguém sabe que não fiz de propósito? Pois é. Posso muito bem achar que fui tremendamente injustiçada e, na verdade, o fato, qualquer que seja, ter sido totalmente despretensioso por parte do outro envolvido. Isso sem falar nas voltas que a vida dá e no que passa a ser certo em um determinado ponto da vida sendo que antes era causa de condenação. Acontece. É a vida em toda sua essência. E hoje talvez esteja exagerando pelo outro lado ao pedir desculpas por tudo e pra todos para não ser mal interpretada outra vez, né? Ô vida maluca...

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