Porque é bem verdade que nesse mundo somente amor não é o bastante

Amassou a folha de papel e jogou num canto, sem olhar. Pensou um pouco, foi lá e a resgatou entre tantas outras. Ainda bem que não jogou no lixo, aí não teria coragem de pegar de volta e desamassar apressadamente, as letras agora trêmulas como a mão que as escrevera minutos antes. Ia jogar mesmo fora? Covarde... ia nada! Fizesse o que fizesse, nada apagaria a lembrança que ela teiamava em recordar, ela não queria esquecer aqueles olhos. A sua mente imaginária fazia ela escorregar e ficar ali, largada, até exibir o velho sorrisinho cúmplice e a lembrança daqueles olhos. Olhos abertos, ela acompanha entre as lembranças aquele beijo. Era sempre assim: sem palavras, seus sorrisos encaixando-se como se fossem as duas metades mais perfeitas que já existiram, como se aquele fosse todo o seu mundo e aqueles dias não fossem acabar nunca mais.

Por um breve instante, ela se permitira esquecer que algumas pessoas, ao contrário das folhas de papel, não se deixavam resgatar assim tão fácil...

Rádiola:



Victor e Leo - Chuva de Bruxaria
Victor Chaves


Azuis, vermelhas, brancas flores
Pintando o cerro dos meus olhares
Fossem linda garoa em cores
Molhando a tarde de ares solares
Chamam você, bem
Não fique aí
Vem molhar meu beijo, te beijo também

Refrão:
Maga magia de lua luzia a noite virando dia
Água na boca secando na louca chuva de bruxaria
Hoje você vem, dizia
Hoje você vem, dizia

De cada ponta de folhagem
Cai uma gota dos nossos banhos
Fada, samambaia, miragem
Doces varandas, sonhos estranhos
O que a beleza puser na mesa
Beba sem medo, vem da natureza

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