
Nem dá pra reconhecer, ao certo, como e quando deixamos de ser parte daquilo que éramos. Porque uma boa porção de nós mesmos, indiscutivelmente, se vai junto com o tempo; não o tempo cronológico e britanicamente compassado dos ponteiros do relógio, mas o tempo particular e cada um, relacionado com as peculiaridades de cada cotidiano. O tempo-instante, muitíssimo mais precioso e fugaz que o tempo-ampulheta. O tempo como uma malha de instantes únicos e decisivos para que uma pessoa não se torne pura e simplismente um esboço de sí mesma. Ás vezes, ter a exata dimensão dessas perdas assusta mas, no fim das contas, tanta coisa impressiona, e é preciso saber que foi preciso perder para não perder mais. Tanto tempo. A gente, onde a gente foi parar.
A vida era quase leve.
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