Bolhas imagináveis....

Minha vida é uma colagem.
Pensei nas vitórias. Nas minhas vitórias cotidianas, nas minhas perdas, nas escolhas e no que ficou pra trás. Nostalgia. Possibilidades. -Aonde você vai estar daqui a dez anos? – Por quê? – Porque é exatamente aonde eu gostaria de estar!. Finais. Telas em branco, cadernos vazios, canetas, pincéis, aquarela e nanquim. Todos os medos. Tudo o que eu poderia ter libertado. Paredes, concreto, bolhas imaginárias de proteção de onde eu podia observar o mundo e permanecer imune a ele. Poderia ter me libertado das minhas próprias paredes há tempos.
Já experimentei de tudo. Ou quase. Dependendo do que “tudo” possa significar. Alegria, raiva,medo. Intensamente feliz, extremamente triste. Mas não o suficiente. Nunca o suficiente. Será que existe alegria suficiente? Será que há um limiar onde a felicidade convence? O fim de qualquer tristeza não justifica a tristeza. Sofrer é sólido. Não se perde no céu, não estoura no ar. Pensar demais é inútil. O mundo fora de nossas cabeças pode ser bem mais divertido. Que tola eu sou, tão boba e tão frágil, tão forte, tão simples e absoluta. Não tenho nenhum animal de pelúcia, não tenho medo da morte, meus animais de estimação não cativaram minha estima, ainda tenho medo da vida, do que se vai e do que fica (e do) para sempre. Que tipo de pessoa eu sou? Não consigo explicar o que sinto nem a mim mesmo e por isso o que sinto é –quase- sempre tão bonito. Ainda não consigo compreender meus finais. Nem os inícios. E essa catraca que é a vida da gente. Tantas pessoas que entram e tantas pessoas que saem. É preciso manter a porta aberta pra que elas entrem. É preciso manter a porta aberta pra que elas saiam. Minha casa vai ter sete janelas.

Pensei na vida. Em minha vida. E na falta que sinto do que já tenho.

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