Esperança.

Pensei tanto entre ir ou ficar. Mudar ou continuar tentando. Vou. Sem pensar mais. Atrás de tudo que eu não tive por aqui. Não sei bem o quê. Tudo novo. Mais abraços. Amores. Sorte ... sorte, sorte. Não dói olhar pra trás, mesmo que coisas pendentes fiquem, especialmente coisas do coração. Deixa estar que o tempo cura tudo. O tempo mostra os caminhos. Sem preocupação. Basta abrir o peito e acreditar. As roupas já estão bem guardadas nas malas espaçosas, as caixas já estão lacradas e cheias dos livros que nem eu sabia que tinha. O vento leva. Sinto medo de deixar de olhar, esquecer. Medo de não sentir mais, não encontrar uma verdade tão grande feito a que eu vivo aqui. Esperança. É confuso mas é bonito, porque é sentimento. E sendo assim sempre vale, sempre compensa. Melhor não ter medo da poeira dos caminhos, ainda mais quando não sabemos o que há na chegada. Pode ser um arco-íris, um buquê de flores, um pote de ouro. Basta crer. Como acredita uma criança de três anos. Quando todos os monstros podem estar ao seu lado, mesmo os mais bizarros, estranhos, toscos. Lá a minha rotina vai ser bonita, vai ser bendita. Minhas inspirações "LOUCAS" me dizem. Basta olhar os caminhos, contemplar, crer na horta crescendo, no sol se abrindo, no amor fraterno. Importa o como não o que ... entende? Eu faço. Eu acredito. Eu quero. Sem sofrer mais. Ando e aprendo a ser generosa um dia, a perdoar. Quem sabe lá do outro lado eu possa aprender, de fato, sobre o perdão. Alguém ou algo que me ensine ... Espero muito, tanto. Meu filho me contou enquanto eu chorava a história do macaco Florindo. O coraçãozinho dele pedia que eu não sentisse mais dor por nada no mundo. Ele sabia da minha tristeza. Chegou dizendo que o macaco Florindo mora em um pé de morango, e passa dias e noites comendo morangos e contando estórias. Que ele tem muitos amigos e vezenquando corre atrás do arco-íris procurando o pote de ouro. E tudo isso me dizia sobre uma sabedoria guardada no íntimo de todos os seres humanos, todos nós seres iguais. Cheios de afeto, de sensibilidade. Tentando consolar, curar as dores, sarar as feridas, fazer companhia, receber e dar amor. Em qualquer parte do mundo. E isso deve nos arrancar qualquer medo. E me deixar ir. Em paz.

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