TEMPESTADES

Aos olhos de quem assiste de longe,


depois da tempestade que sacudiu a vila,


restou apenas os escombros de uma vida,


restos de uma história que agora jazem no chão.


Fotografias, eletrodomésticos, móveis,


tudo destruído e embolados pela lama.


Lágrimas...


Mas, para o dono da casa existe algo mais,


em cada canto de parede uma história,


emoções que não contam no censo,


lutas, conquistas, celebrações,


derrotas, contratempos e decepções,


tudo embolado com a lama.


Mas ninguém vê.


Sentimentos...


Eis o que resta de toda vida,


as emoções vividas, o bom combate travado,


o que sentimos e guardamos na alma.




Sempre:


o cheiro da nossa fronha, não o travesseiro,


a sensação da nossa cama, não o colchão,


o conforto da nossa roupa, não a etiqueta da calça,


a proteção do nosso calçado, não a origem do sapato.


O amor que sentimos, não o que esperamos de alguém.


Certezas...


Tudo pode estar no chão agora,


podem ter roubado tudo de você, a sua paz, o seu chão, até a sua liberdade,


só não deixe que roubem as suas certezas,


o que você já tem em seu interior,


o conhecimento, a vivência, o amor.


São esses os materiais que você precisa agora e sempre,


para reconstruir a sua "casa" depois do furacão,


e enquanto todos enxergam destroços,


você, com esperança e certeza, vai enxergar a vida que se abre para "o reconstruir",


e tudo começa agora, com essa vontade louca de ser feliz!






(Paulo Roberto Gaefke)






-- E tudo é uma coisa só.

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