Ele estava indo. Estava indo. Indo. Foi soltando minha mão e deu apenas um passo. Com um passo segurava a ponta dos meus dedos ainda, tocando muito levemente. Sorria. Não parecia que era o fim. Não parecia que estava triste. Se bem que, triste, triste, triste eu também não estava. Só tinha medo. Receio de uma coisa que não conhecia, que poderia transformar tudo em que eu acreditava. E ele deu mais um passo. Me vi em um filme. Consegui imaginar a cena, ver a cena sentindo-a na minha pele. Não fechei os olhos, mas do meu próprio ângulo eu me imaginava assistindo e não participando daquele momento. Haveria um fundo musical? Se sim, talvez eu estivesse momentaneamente ensurdecida por um sorriso que se afastou com mais um passo. E foi assim, passo a passo, segundo a segundo, quadro a quadro, sempre sorrindo.
Faz tempo. Eu só lembrei.
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