Explosões de Fúria e Saudades

Como se nunca tivesse sido, posso me calar.

Como se nunca tivesse sabido, posso me acostumar.

Como se não tivesse querido, posso me arrepender.

Como se não soubesse o final, posso fantasiar.

Como se não imaginasse as conseqüências, posso fazer de conta.

Como se não bastasse, posso querer mais.

Como se não houvesse mais ninguém no mundo, posso ignorar.

Como estranha, posso fingir.

Como amiga, posso ouvir.

Como Penélope, posso esperar.

Como a outra, posso enlouquecer.

Como sua, posso me comportar.

Como se fosse um erro, posso me sentir pecadora.

Como Woody Allen, posso escrever.

Como Julieta posso morrer.

Como inspiração, posso esvair.

Como se fosse um sonho bom, posso acordar na melhor parte.

Como se fosse um pesadelo, posso não acordar na pior parte.

Como se já não tivesse deixado todas as marcas,

como se já não tivesse me feito lembrar dos melhores momentos,

como se a lua nos transformasse no que fomos um dia, conscientes,

ou no que sempre fomos, declarados,

ou no que nunca fomos, ignorantes.

Como se estivesse escrito no livro sagrado de nossas vidas mais secretas,

simplesmente aconteceu.

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