Disse pra uma amiga hoje que tenho medo de mim, depois fiquei pensando: o que exatamente me amedronta? as reviravoltas da vida? a verdade bem debaixo do meu nariz? os riscos? Tenho medo da fresta que se abriu na parede que tenho sido há tanto tempo, deixando uma luzinha passar devagar, sorrateira... Às vezes queria fechar essa fresta, às vezes queria pagar pra ver, mas o preço que paguei pela construção da parede foi muito, muito alto, talvez remendar saísse mais em conta. Consertar antes que fique maior ou construir um muro mais alto. Não sei ainda. Ultimamente só compreendo as desconstruções, sei como foram feitas e lembro o efeito avassalador que tiveram sobre minha vida. Vai demorar muito pra esquecer o barulho de tudo ruindo aos poucos, a sensação de perda, o trabalho duro que foi dar a volta por cima. Por enquanto, vou fazer que nem criança e tapar a fresta com a mão, os dedos bem juntinhos pra não entrar nem luzinha, nem nada.
Talvez o tempo não explique tudo, talvez não acalme, talvez não cure... Mas é somente com ele que podemos contar às vezes...
Nenhum comentário:
Postar um comentário